As Redes Sociais sob o foco da Acessibilidade

Lucy Gruenwald e Cristiana Cerchiari - Jun 2015

Redes Sociais, ou mídias sociais como também são conhecidas, são aplicações baseadas na Internet que permitem criação e compartilhamento de conteúdo entre grupos de pessoas. Facebook, Twitter, LinkedIn, Youtube, Skype são alguns exemplos mais populares.

Essas aplicações surgiram sem muita pretensão (assim como quase tudo na Internet), mas com o passar do tempo evoluíram naturalmente e passaram a ocupar um espaço importante na forma como as pessoas se relacionam.

A facilidade para criar e compartilhar conteúdo, e constituir grupos de interesse, assim como a forma ágil de propagar informação e a interatividade entre os participantes, são a base dessas tecnologias.  Nas redes sociais, qualquer pessoa tem oportunidade de criar e distribuir conteúdo, desde que tenha uma conexão Internet, seja no computador ou em equipamentos móveis como smartphones e tablets. 

Organizações de todos os tipos estão aproveitando este novo formato de mídia para se relacionar com seus consumidores, clientes e mesmo funcionários. Conteúdos e serviços específicos podem ser desenvolvidos, gerados e compartilhados por empresas e clientes, governos e cidadãos, empregados e empregadores, professores e alunos, consumidores e fabricantes, sem os altos custos das mídias tradicionais.

As pessoas com deficiência – que somam 25,5% da população brasileira, segundo o Censo de 2010 do IBGE – não estão alheias a essas mudanças tecnológicas.

O artigo “Social Networking, the Disable View”, da BBC, cita alguns impactos das redes para as pessoas com deficiência:

  • Diminuir o sentimento de isolamento, facilitando o contato com amigos, possibilidade de fazer novas amizades, compartilhar informações, dar e receber suporte;
  • Juntar forças para lutar contra preconceitos, assinar petições e fazer campanhas políticas de modo a lutar pelos seus interesses e direitos;
  • Participar, em igualdade de condições, de aulas e eventos presenciais ou online, contribuindo com suas opiniões. Mesmo em encontros ou reuniões presenciais, a utilização de redes sociais pode permitir, potencializar ou possibilitar a participação de pessoas surdas, com paralisia cerebral ou com dificuldade de fala.
  • Acesso a notícias ou avisos instantâneos (ao invés de ter que esperar que sejam transformados em um formato viável);
  • Busca de empregos e empregados;
  • Acesso e divulgação de produtos e serviços;
  • Comunicação facilitada entre pessoas cegas e surdas, já que o contato visual não é necessário.

 

Como as pessoas com deficiência acessam as redes sociais?

Para que as pessoas com deficiência possam efetivamente acessar as redes sociais são necessárias, basicamente, duas coisas: em primeiro lugar, ter no computador (ou equipamento móvel) a tecnologia assistiva mais adequada às suas necessidades. Leia no nosso site, www.lbgacessibilidade.com.br, o artigo “Tecnologias Assistivas no Ambiente Corporativo”, onde discorremos sobre este assunto. 

Contudo, isso ainda não é suficiente para garantir o acesso dessas pessoas às redes sociais. Quem oferece essas redes também precisa fazer sua parte. Como elas são baseadas em tecnologia web, é imprescindível que atendam aos requisitos de acessibilidade. Eis alguns exemplos de barreiras impostas pela falta de acessibilidade nas redes sociais:

.   Uso de captchas (letrinhas tortas em formulários) para fazer login (muitas redes já eliminaram esta barreira atendendo a inúmeras reclamações de usuários);

  • Falta de marcações para localizar rapidamente as diferentes sessões;
  • Contrastes de cores insuficientes ou inadequados;
  • Impossibilidade de navegar por todos os itens via teclado;
  • Impossibilidade de operar as funcionalidades via teclado, como por exemplo, silenciar ou alterar o volume rapidamente de um áudio ou vídeo, já que a voz sintetizada dos programas leitores de tela “concorre” com este som;
  • Falta de recurso para incluir textos equivalentes nas imagens e audiodescrição. Impossibilidade de incluir legendas em vídeos, o que impede as pessoas surdas e com deficiência auditiva terem acesso ao conteúdo.

Como as empresas das redes sociais estão abordando as questões de acessibilidade

Em geral, as redes sociais “nasceram” bastante inacessíveis. Até 2008, por exemplo, era preciso usar uma versão “paralela” do Facebook, mais acessível às pessoas com deficiência. Um trabalho conjunto com a American Foundation for the Blind melhorou bastante a acessibilidade do Facebook e, em 2011, a empresa criou um grupo de trabalho interno, especificamente para assegurar a acessibilidade do produto e criar empatia da equipe de engenheiros com o tema. Jeff Wieland, o líder do time, comentou, na conferência CSUN de San Diego em 2014 (na qual estivemos presente), que o seu maior desafio é conscientizar os desenvolvedores quanto às questões de acessibilidade, visto que as Universidades, mesmo as mais importantes, não estão incluindo em seus currículos o tema.  Para suprir essas deficiências, o grupo faz um trabalho intensivo de treinamento e de controle de qualidade sobre tudo que é desenvolvido.

Felizmente, outras empresas de redes sociais também têm se tornado mais conscientes em relação à acessibilidade de seus produtos e criado grupos dedicados ao tema. Desse modo, pode-se notar que a acessibilidade nas redes sociais tem evoluído gradativamente.

Considerações sobre a acessibilidade das principais redes sociais

FACEBOOK:

É a maior rede social do momento. É usada principalmente para interação pessoal - para manter contato com os amigos. O usuário pode criar seu perfil, adicionar outros como amigos, trocar mensagens de texto, incluir fotos ou vídeos, participar de grupos de interesse, seguir organizações particulares ou até mesmo jogar com os amigos.

O Facebook é relativamente acessível, especialmente na versão para equipamentos móveis por ter uma interface mais simplificada. Possui vários recursos de acessibilidade que podem ser encontrados na sua  página “Central de Ajuda”, que contém informações sobre os atalhos de teclado para navegar entre as diversas sessões, como Feed de Notícias, Anúncios, Solicitação de amizade etc.; atalhos para Curtir, Descurtir, Comentar e Compartilhar notícias; marcações extras para facilitar a navegação (ARIA e headers); modo  para  adicionar legendas em vídeos e fotos, entre outros.

A equipe responsável pela acessibilidade mantém páginas no Facebook (https://www.facebook.com/accessibility) e no Twitter (https://twitter.com/fbaccess) para informar sobre suas atividades e também para que sejam facilmente acionados no caso de dúvidas e sugestões do público em geral (páginas em inglês!).

Dicas de como usar o Facebook com o leitor de tela Jaws podem ser encontradas na página “Facebook with Jaws:  Tips and tricks for a better experience”.

TWITTER:

Rede social muito popular e simples para comunicação pessoal rápida e troca de mensagens textuais curtas (até 140 caracteres). Pode ser muito útil para o envio de mensagens para dar suporte às pessoas com deficiência e ajudá-las a ultrapassar potenciais problemas imediatos.

Por ser baseado em textos simples, o Twitter não apresenta muitos problemas de acessibilidade. A versão para equipamentos móveis tem sido recomendada por ter uma interface mais simplificada.

LinkedIn:

Rede muito popular, usada primeiramente para compartilhar informações profissionais e manter contatos. Usuários podem criar e postar seus currículos, adicionar conexões profissionais, participar de discussões e seguir eventos de várias organizações. Podem também fazer recomendações entre si. Excelente ferramenta para procurar emprego ou candidatos, além de manter contato com colegas de outros trabalhos ou escolas.

No tocante à acessibilidade para pessoas com deficiência, o grande inimigo é a quantidade excessiva de informações na tela. Se a hierarquização de informações na rede social não for muito bem definida, torna-se difícil localizar algum conteúdo específico.

No artigo “ LinkedIn with JAWS: Tips and tricks for a better experience”, a Freedom Scientific dá dicas sobre como usar o LinkedIn com o leitor de tela Jaws.

Skype:

Sua popularidade se deve à possibilidade de fazer chamadas com áudio e vídeo de forma gratuita. É preciso ter uma Internet razoavelmente rápida e estável para poder usar bem esse recurso. Tem sido bastante utilizado por empresas e Universidades para fazer entrevistas com candidatos a vagas, especialmente quando estão separados por longas distâncias e o contato pessoal é difícil.

Para as pessoas com deficiência, o Skype pode trazer benefícios significativos. Como comentou um palestrante cego no CSUN: “Viajo muito e sozinho, para dar palestras. Como saber se estou bem vestido e se minha gravata não está torta? Solução: chamar minha esposa pelo Skype assim ela pode visualizar como estou vestido e me dar dicas, sempre que necessário!”. Outro exemplo: usuários de língua de sinal podem se comunicar através de vídeos instantâneos e gratuitos.  

O Skype pode ser acessado via computador, smartphone ou tablet. E, geralmente, as versões atuais, na maioria dos equipamentos, são acessíveis e funcionam bem com as tecnologias assistivas. As versões para dispositivos móveis são consideradas mais acessíveis por terem um número menor de opções na tela.

Consulte a página “Que recursos de acessibilidade estão disponíveis no Skype” para mais informações. Os atalhos de teclado para uso do Skype no Windows podem ser encontrados em “O que são teclas de atalho e como usá-las”.

Youtube:

Rede exclusivamente focada em vídeos. Pode-se visualizar e fazer downloads de vídeos de forma gratuita, mas para postar é necessário ter uma conta.

Pode-se encontrar informações sobre acessibilidade, inclusive sobre as teclas de atalhos, na página “Como usar Youtube com um leitor de tela”.

O grande problema do Youtube atualmente é a falta de legendas nos vídeos e o acesso de seus botões de controle via teclado. Enquanto passa o vídeo, os usuários, principalmente os com deficiência visual, ficam procurando os botões, não conseguindo curtir os vídeos, nem os retroceder ou colocá-los para frente. Esse é um problema clássico nos players de vídeos, felizmente  já estão aparecendo algumas soluções no mercado. Esperamos que o Youtube resolva este problema em breve.

Conclusão

As redes sociais crescem rapidamente e trazem com elas uma mudança social e tecnológica importante, o que torna imprescindível avaliar sua acessibilidade, pois a falta dela pode excluir um grande segmento da sociedade.

Para os consumidores, os benefícios de trabalho, socialização, entretenimento e engajamento são significativos, e para as pessoas com deficiência seus benefícios podem ser ainda maiores e mais profundos devido às novas oportunidades de participação na sociedade.

Apesar dos benefícios, ainda encontramos várias barreiras de acessibilidade nas redes. Com a nova abordagem dessas empresas (de contar com uma equipe dedicada) é possível prever que gradativamente estas barreiras serão minimizadas ou até mesmo eliminadas.

Nossa sugestão é que as pessoas com deficiência se aventurem cada vez mais nas redes sociais para se familiarizar e descobrir novas possibilidades principalmente para suas necessidades específicas. Caso se deparem com falta de acessibilidade, manifestem-se nas próprias redes ou nos canais de comunicação para reclamações disponibilizados por elas! Cabe, também, às pessoas sem deficiência descrever fotos textualmente e inserir legendas sempre que possível. Assim, todos vamos contribuir efetivamente para a criação de redes sociais para todos!

Referências:

 

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